quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Navio Negreiro




Uma poesia de Castro Alves. Tragédia no Mar foi concluído pelo poeta em São Paulo, em 1868. Quase vinte anos depois, portanto, da promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico de escravos, de 4 de setembro de 1850. A proibição, no entanto, não vingou de todo, o que levou Castro Alves a se empenhar na denúncia da miséria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oceânica. É preciso lembrar que, em média, menos da metade dos escravos embarcados nos navios negreiros completavam a viagem com vida.

Composto em seis partes, o poema alterna métricas variadas para obter o efeito rítmico mais adequado a cada situação retratada. Assim, inicia-se com versos decassílabos que representam, de forma claramente condoreira, a imensidão do mar e seu reflexo na vastidão dos céus:

“'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Note o leitor que o poema se inicia com a supressão da vogal E inicial da palavra Estamos, grafada ‘Stamos para que o poeta forme um verso decassílabo. É um recurso tipicamente romântico: a expressão suplanta o cuidado formal.

Na segunda parte do poema, composta em versos redondilhos maiores (heptassílabos), ao seguir o navio misterioso, pedindo emprestadas as asas do albatroz, o eu lírico escuta as canções vindas do mar. Ao se aproximar, na terceira parte, em versos alexandrinos, o eu lírico se horroriza com a “cena infame e vil”, descrita na quarta parte do poema, através de versos heterossílabos, alternando decassílabos e hexassílabos:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

Na quinta parte, novamente em heptassílabos, o poeta faz um retrocesso temporal, descrevendo a vida livre dos africanos em sua terra. Cria, assim, um contraponto dramático com a situação dos escravos no navio. Na última estrofe Castro Alves retoma os decassílabos do início para protestar com veemência contra a crueldade do tráfico de escravos:

Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!

Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!





                               http://www.myhappyday.com.br/home/2012/3/2/cantinhos-junto-a-janela.html


Tenha um ótimo dia.
 Anajá Schmitz


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O poeta Castro Alves



Antônio Frederico de Castro Alves foi um importante poeta brasileiro do século XIX. Nasceu na cidade de Curralinho (Bahia) em 14 de março de 1847.
No período em que viveu (1847-1871), ainda existia a escravidão no Brasil. O jovem baiano, simpático e gentil, apesar de possuir gosto sofisticado para roupas e de levar uma vida relativamente confortável, foi capaz de compreender as dificuldades dos negros escravizados.
Manifestou toda sua sensibilidade escrevendo versos de protesto contra a situação a qual os negros eram submetidos. Este seu estilo contestador o tornou conhecido como o “Poeta dos Escravos”. 
Aos 21 anos de idade, mostrou toda sua coragem ao recitar, durante uma comemoração cívica, “Navio Negreiro”. A contra gosto, os fazendeiros ouviram-no clamar versos que denunciavam os maus tratos aos quais os negros eram submetidos. 
Além de poesia de caráter social, este grande escritor também escreveu versos líricos-amorosos, de acordo com o estilo de Vítor Hugo. Pode-se dizer que Castro Alves foi um poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo. 
Este notável escritor morreu ainda jovem, antes mesmo de terminar o curso de Direito que iniciara, pois, vinha sofrendo de tuberculose desde os seus 16 anos.

Apesar de ter vivido tão pouco, este artista notável deixou livros e poemas significativos.

Poesias de Castro Alves:

- Espumas Flutuantes, 1870

- A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876 

- Os Escravos, 1883 

- Hinos do Equador, em edição de suas Obras Completas (1921) 

- Navio Negreiro (1869) 

- Tragédia no lar 



Aqui temos alguma imagens de consoles. Eles são cantinhos especiais em uma casa, por isso, pontos de luz e flores, ficarão sempre em destaque para dar aconchego e beleza no lar.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma cobertinha neste frio.



Edredom foi a melhor coisa que inventaram, ele nos aquece em qualquer temperatura, somente naqueles frio brabo é que temos que usar vários cobertores. A peça da casa que mais gosto é o quarto e roupas de cama nem se fala. Tenho uma obsessão por lençóis e se forem branco mais lindos e aconchegante deixam um dormitório.
Aqui temos alguns estilos de quartos, românticos e aconchegantes. Estão convidando para uma sonequinha.




 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lavabos



Tenho uma especial adoração por lavabos. Nunca vi um que não fosse cheio de classe e bom gosto. Todos se esmeram muito na decoração desta peça da casa.  E por serem ambiente pequenos são fáceis de decorar e dar um toque especial. Segundo alguns designer os lavabos são uma extensão da sala, por isso temos que deixá-los  lindo e aconchegantes para receber os amigos com estilo  e personalidade.







 


http://www.myhappyday.com.br/home/2012/5/29/lavabos.html


Tenha um ótimo dia.
 Anajá Schmitz

sábado, 20 de outubro de 2012

Poesia se põe a mesa....



Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...





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                                                   http://weshareideas.com.br/tag/decoracao-mesa/

Tenha um ótimo dia.
 Anajá Schmitz

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Detalhes


Olhando essas belas imagens me veio a mente a musica de Roberto Carlos, Detalhes. Como os detalhes dão uma outra interpretação num ambiente. Um toque de carinho e amor que nos transportam pelo tempo e nos trazem muitas lembranças. 


A nossa vida tem destes pequenos detalhes,
Os detalhes simples de existir, de viver
Percamos as horas os minutos, os segundos
Que o mundo nos fuja das mãos, Te-los-emos sempre
Aquela pedrinha bonita no chão,
O vento que nos passa pelos cabelos
Os detalhes da mais pequena existencia...

Depois chegam-nos outros detalhes, detalhes de pessoas
Pequenos gestos e caricias, um piscar de olho,
Uma caracteristica chamativa, uma marca de diferença
Lembranças que causam saudade, outras descrença
Ou aquela pessoa estranha, e no banco aquele velho
A folha que cai, um olhar que nos sobressai, uma pessoa brilhante
E assim apareces tu, em mim, inundando-me a mente...

Mil e um detalhes por decorar, mil e uma maneiras para estudar
E lá estás tu também a olhar-me...
E ai pergunto-me que te estará a passar pela cabeça...
Se me estudas da mesma forma, ou apenas admiras algo que nem eu vejo...
E nessa duvida fico analisando, pensando, existindo...
Quando dou por mim, passou todo o tempo do mundo,
Mas nada foi perdido, tudo ganho, mais uma espressão, mais um olhar
E me perco outra vez neste doce amar...

http://simplespoemas.blogs.sapo.pt/27292.html

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

vivenciando o azul....


Olhando essas belas imagens em que o azul dá um tom de calidez e de paz, me veio a lembrança de minha mãe. Me recordo dela sentada costurando cantando uma musica de Nossa Senhora, .... Azul é seu manto, branco é seu véu .... Como uma imagem nos transporta no tempo e na saudade. 


"Mãezinha do céu, eu não sei rezar
Eu só sei dizer quero te amar
Azul é seu manto, branco é seu véu
Mãezinha eu quero te ver lá no céu
Mãezinha do céu, mãe do puro amor
Jesus é seu filho
Eu também sou
Mãezinha do céu, vou te consagrar
A minha inocência, guarda-a sem cessar
Azul é teu manto, branco é seu véu
Mãezinha eu quero te ver lá no céu"


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Uma ceia ao ar livre


Neste belos dias de primavera, nada melhor do que apreciar a boa companhia dos amigos numa refeição ao ar livre. O clima nos chama para confraternizar e celebrar a existência humana. Nada se compara a uma mesa carinhosamente arrumada e uma comida simples e saudável, desfrutando deste clima maravilhoso.






Canção da tarde no campo

Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha

no meio do vale.
Mas a tarde é minha.


Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.















                             http://www.myhappyday.com.br/home/2012/5/18/inspiraco-do-dia-mesas-ao-ar-livre.html


Tenha um ótimo dia.
 Anajá Schmitz